Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Fatos e Fotos

Baú de Relíquias - A bola não pára

Sepé Tiarajú

Carlos Alberto Kolecza (*)

Não sei quem teve a idéia, onde, quando, tampouco quem propôs o nome. Terá sido na euforia da primeira e única vez que se ganhou do Botafogo, o jogo de sempre aos domingos de manhã?

Éramos o Guarani Futebol Clube, um time sem camisetas, poucas chuteiras, às vezes sem bola, da gurizada entrando na adolescência da cidade baixa. Mais precisamente, na rua Dr. Francisco Timm, para baixo.

Com o esforço de alguns voluntários do outro lado do Pessegueirinho.

Além do arqui-rival Botafogo havia o Operário, time dos pedreiros de um pavilhão do Colégio Santa Rosa de Lima, que sumiu com o término das obras.

Na cidade alta, o Palmeiras, jogava num terreno vazio na esquina oposta da Casa Lavarda.

Em Cruzeiro, uns guris bons de bola, entre eles os irmãos Jarbas e Plínio Tonel, metiam medo de goleada na gente.

Muitas cabeças pensavam em um novo time capaz de queimar o longo reinado de Paladino.

O Quartel apareceu com o Duque de Caxias, efêmero.

O Floresta, concebido entre montanhas de sacas de feijão e milho, da firma atacadista do mesmo nome – era o Renner – de Santa Rosa.

Os irmãos maristas contribuíram com o Cariris, embrião do Aliança.

Francisco José Berta – o seu Berta – sempre sorridente, entre pomadas e xaropes, bolava os lances que revolucionariam o pacato futebol santarrosense.

A anos luz do profissionalismo de Tamoio, Elite e Grêmio de Santo Ângelo, para não falar nos fortíssimos clubes de Cruz Alta.

Esse era o panorama geral, mas, um novo clima estava brotando do chão naquela SANTA ROSA de transição da fase predominantemente rural para a urbana.

A cidade não estava mais encaixotada entre o Pessegueirão e o Pessegueirinho, desde o início, as divisas entre o perímetro urbano e as colônias.

Vontades e necessidades até então abafadas estavam irrompendo em todos os cantos.

Só por isso se pode explicar que uma idéia de um grupo de garotos pés-rapados se transformasse em realidade.

Sem querer, no balcão da secretaria da Federação Gaúcha de Futebol, Aneron Correa de Oliveira o eterno presidente, recebeu em mãos o envelope com o Estatuto do Clube.

Deu o acaso de estar de saída e dar com um rapaz chegando no balcão. Perguntou, recebeu o envelope que Alceu Medeiros enviara e dias depois telegrafou comunicando a filiação.

Não havia bola no dia do treino.

Por sugestão do Alberto Samaniego – o Paraguaio – se fazia plantão no bolicho do “seu Olmiro”, creio que nossa primeira sede, na descida da av. Santo Ângelo, atacávamos o pessoal a caminho do almoço em casa. Era uma rifa engenhosa. O sujeito pagava o numero que tirava do copo. O premio: um litro de conhaque. Mais uns trocados aqui e ali e a bola estava garantida.

Jogadores que aguardavam vaga em outros clubes, reforçavam os pontos fracos.

Alguém - quem terá sido? - deu a sugestão genial de se organizar bailes. Pronto. Os pais se associavam para garantir um lugar decente as filhas dançarem. Em pouco tempo tínhamos uma torcida feminina uniformizada. Algo nunca visto no Estádio Municipal.

Mais que um time de calceteiros, pedreiros, biscateiros, bancários e estudantes, um clube de pobretões, o SEPÉ TIARAJU foi um fenômeno social.

De longe eu recebia as notícias que Alceu Medeiros, punha no papel.

Caí para trás quando informou a compra do primeiro jogo de camisetas.

Alceu era o cérebro que foi articulando pessoas, criando situações positivas, descobrindo atalhos salvadores. Em torno dele se agrupavam os benfeitores, se juntavam os jogadores e se dirigiam as adesões.

O SEPÉ era um clube de varias famílias com o mesmo sobrenome – MEDEIROS.

Gente sempre disposta a cooperar, cada ramo numa ponta da cidade. Talvez nem parentes fossem.

Até hoje me bate uma tristeza de não estar junto quando o SEPÉ foi campeão.

Me consolo relembrando as nossas peladas no Campo da Tuna, uma fatia plana de um potreiro que despencava para o Pesssegueirinho, próximo ao moinho e serraria dos Meinerz.

A tuna protegia um angico e furava todas as bolas que se aproximassem.

Matávamos a sede no poço do “seu Meneghini”. Seu filho RAUL deu seus primeiros passos conosco.

O Campo da Tuna era o nosso Estádio e nossa escola de vida como ela é, de irmandade e sem distinção de cor da pele.

Tomado de casas, hoje, ali nasceu o SEPÉ com o nome provisório de Guarani F. C.

Primeiro, a tribo, depois o grande guerreiro.


Copyright © João Jayme
Site desenvolvido por Mérito Propaganda